Quando o tema são os hábitos infantis, é muito comum que cada geração tenha as suas próprias certezas sobre o que é melhor para os seus filhos. Ainda que isso nos leve a situações curiosas, como o recorrente caso de jovens pais que concordam mais com a rigidez da educação de seus avós do que com a liberdade que ela própria viveu. Não é de se espantar que isso ocorra, afinal de contas, toda geração terá sempre as suas descobertas, manias e mistificações. E um assunto que não foge a essa regra é o uso da fantasia infantil.

Todos conhecemos aqueles pais que vestem seus filhos e filhas de herói, princesa e outros personagens antes mesmo de as crianças pedirem. Ao mesmo tempo, outros ficam cheios de dedos com as possíveis implicações psicológicas ou sociais da fantasia. “Será que meu filho vai fugir da realidade? Será que não vai ficar ridículo? ”

Para tentar tirar algumas dessas dúvidas, separamos aqui alguns prós e contras do uso de fantasias pelas crianças. Vamos a eles!

Por que entrar no clima?

A infância é um período de experimentação com a personalidade e, neste sentido, a fantasia tem um enorme potencial de expandir o imaginário da criança, aperfeiçoando tanto as suas brincadeiras quanto o seu horizonte de ideias, valores e conceitos. Vivendo por alguns instantes como outra personagem (que muitas vezes ela admira), a criança começa a entender por contraste quem ela mesma é.

Além disso, um novo olhar se desenvolve. Um menino que enxerga o seu dever de casa como a tarefa de um super-herói nota que ela fica mais agradável e, dessa maneira, pode compreender melhor a importância de uma atitude criativa na vida. Assim, a fantasia vira uma fonte de confiança e aprendizado constante.

As fantasias também são uma forma de identificação entre as crianças em seus eventos, pois permitem que elas se aproximem por afinidade com os mesmos personagens e jogos. Por isso, aliás, é muito importante ouvir a preferência das crianças quanto às fantasias que elas desejam usar. Para elas, essa escolha tem tanta importância quanto as nossas roupas de festa.

Por que ficar alerta com relação à fantasia infantil?

Nem tudo, no entanto, são flores. Por ser um período de magia e faz de conta, os nossos primeiros anos também podem criar algumas ilusões. Ainda que seja importante não exagerar nessa preocupação — afinal de contas nenhuma criança precisa se vestir de polícia ou ladrão para interpretar essa brincadeira —, é um fato que a fantasia cria uma sensação de realidade diferente, capaz de gerar na criança um apego excessivo à ficção. Se não for bem observado, isso pode causar um sério desinteresse pelas coisas reais.

Outro problema é o uso da fantasia como justificativa para expressar maus hábitos. Algumas mães reclamam, por exemplo, que os seus filhos se tornam mais agressivos ao vestirem-se de Batman ou Homem-Aranha, chegando inclusive a bater gratuitamente em animais e outras crianças, comportamentos que não costumam expressar sem a roupa.

No primeiro caso, o mais importante é que os pais atentem para a frequência com que os filhos imitam os seus personagens favoritos e se começam a absorver no cotidiano os seus trejeitos e atitudes. Já no segundo caso, é uma questão de esclarecer diretamente para a criança quando uma brincadeira perde a graça.

Qual a hora de parar?

Muitos pais que se acostumaram a fantasiar seus filhos têm dúvidas sobre em que idade a prática deixa de ser adequada. Neste ponto, a regra é apenas o bom senso. É preciso ouvir a opinião da criança sobre o assunto e também observar como ela se sente junto aos seus colegas. A atenção é importante até mesmo para que os próprios pais não insistam em fantasiar as crianças quando elas mesmas já não querem mais!

Independente da abordagem que se escolha para o assunto, o mais importante é sempre respeitar a evolução natural das crianças, antecipando os problemas que elas não podem enxergar, mas sem sobrecarregá-las com preocupações irracionais. Esta também pode ser uma ótima oportunidade de conhecer melhor o seu filho e aprender mais sobre o seu universo.

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